
Denodado comandante
De um punhado de serranos
Em brava luta constante
Vence os antigos romanos;
E tão grande apreensão
Acaba por lhes causar,
Que estes resolvem mandar
Assassiná-lo à traição
Da autoria de Teófilo Braga, antigo Presidente da República Portuguesa, a Zéfiro editou o romance histórico "Viriato - A Epopeia Lusitana".
(...) Até há relativamente pouco tempo acreditava-se que Pax Julia teria sido uma cidade fundada pelos romanos, de raiz. Contudo, foi encontrada e identificada naquele local parte de uma espessa muralha pré-romana... sinal inequívoco da existência da cidade antes dos romanos, em algum momento da chamada Idade do Ferro. Assim sendo, também o estudo da romanização e proto-história de Beja pode dizer muito sobre igual momento da cidade de Lisboa. Parece ser ponto assente que, logo após a derrota de Viriato, surgindo a empresa de Décimo Júnio Bruto a partir de Lisboa (que "fortificou"), o território a Sul do Tejo já não deveria constituir problema para os romanos. Seria Beja parte de um território amigável - região "tartéssica" ou "cónia" - que afinal de contas também respirou de alívio com o fim de Viriato (...)?
A obra literária mais importante que sobre Viriato se escreveu no século XX em Portugal foi publicada em 1984 e é seu autor João Aguiar. É a mais importante, não só pela fidelidade histórica aos documentos antigos, à arqueologia e aos estudos etnográficos da época em que se insere a acção, mas principalmente porque tem sido uma das mais lidas: em dez anos teve quinze edições. Tem por título A Voz dos Deuses e apresenta-se sob a forma de romance histórico.
Viriato [Visual gráfico / Silva L. lith. - [S.l. : s.n., ca 1850?]. - 1 gravura : litografia, p&b
(...) While most historic heroes were maintained throughoutthe long period of Estado Novo and their deeds narrated accordingto the established ideology, the case of Viriato presents anexception. Viriato’s ascension to a heroic status had resultedfrom his struggle against the expanding Roman Empire and itsarmies. He had been defined as the ancestor of the Portuguesenation and our claim to the denomination “Lusos” (i.e., theheirs of the Lusitanians). This national and ethnic identificationparallels France’s identification with the Gauls and England’swith the Britons (DIETLER, 1994), while mapping Portugueseidentity and nation back to a time when it did not exist (in thiscase, 2nd century B.C.). Viriato was described in textbooks as a“barbarian,” a lonely shepherd who lived simply, and lovedfreedom. The iconography represented him as a strong, savage,bearded man, wearing skins, holding a small shield and a shortspear (in clear opposition to Roman weaponry – FABIÃO,GUERRA, 1997). As a rebel he led the Lusitanians through aseries of victories against the powerful Roman army, he wasdefeated only by treason. But after the beginning of the wars ofindependence in the African colonies, in 1961,Viriato became aninconvenient ancestor and was relegated to a secondary plan, almostcompletely disappearing from school textbooks with the rareexceptions as it is the case history textbook, published in 1968-1970, which has suggestive title of Lições de História Pátria, or“Lessons of Patriotic History,”). Through his defense ofindependence and use of less orthodox means to fight Roman armies, he could easily be identified with the rebel armies fighting for thefreedom of their countries in the African colonies, while thePortuguese colonial state could be compared to the invading Romans.
(...) Viriato derrota os romanos no desfiladeiro de Ronda, que separa a planície do Guadalquivir da costa marítima da Andaluzia, fazendo nas fileiras inimigas uma espantosa chacina, tendo sido morto o próprio Vetílio. Seguidamente os lusitanos destroçam as tropas de Cayo Pláucio, tomando Segóbriga e as de Cláudio Unimano, que em 146 AC era o governador da Hispânia Citerior. Em 145 AC os lusitanos voltam a derrotar as tropas romanas de Caio Nígidio. Em 145 AC Quinto Fábio Máximo, irmão de Cipião "O Africano" é nomeado cônsul na Hispania Citerior e é encarregado da campanha contra Viriato ao comando de duas legiôes. Ao princípio tem algum êxito mas Viriato recupera e em 143-142 AC volta a derrotar os romanos em Baecula e obriga-os a refugiar-se em Córdova. Simultaneamente, seguindo o exemplo do chefe lusitano, as tribos celtibéricas revoltavam-se contra as prepotências romanas, acendendo uma luta que só terminaria em 133 AC com a queda de Numância. Em 140 AC Viriato derrota o novo cônsul Fábio Máximo Servilliano, matando mais de 3.000 romanos, encurralando o inimigo e podendo destroçá-lo, mas deixou Servilliano libertar-se da posição desastrosa em que se encontrava, em troca de promessas e garantias de os Lusitanos conservarem o território que haviam conquistado. (...)
A Ésquilo editou este mês o interessante trabalho "Lusitanos no tempo de Viriato" da autoria do Dr. João Vaz que, nas suas 240 páginas, nos dá uma imagem da forma de viver, combater e morrer dos Lusitanos. 