07/08/2009

O descanso do guerreiro!

Naquela sexta feira, Viriato reuniu os seus homens e disse-lhes:
- Fiquem atentos! O inimigo romano não dorme e a qualquer instante pode atacar!
- Senhor, eles são mais de espalhar a má língua, a perfídia e a traição! Não nos atacarão... podeis ir descansado!
- Assim seja! Gozarei uns dias no recanto do meu secreto ninho de amor com a minha princesa!
E, tranquilo, Viriato partiu de férias!

Viriato, um chefe invencível

Ninguém sabe ao certo quando nasceu Viriato nem a que família pertencia. Segundo a tradição, durante a juventude terá sido pastor nos Montes Hermlnios, que hoje se chamam Serra da Estrela (1).
Há quem diga que Viriato participou desde muito novo em assaltos-relâmpago às povoações dominadas por romanos. E que já então se distinguia pela agilidade, pela força e pela inteligência guerreira.No entanto, foi um dos homens que acreditaram nas promessas de Galba e desceram à planície na intenção de se instalar e viver em paz numa terra fértil. Assistiu ao ataque traiçoeiro; não pôde lutar porque não tinha armas, mas conseguiu fugir.
Depois do massacre, todos os lusitanos sobreviventes regressaram aos seus castros nas montanhas. A pouco e pouco reorganizaram-se, fabricaram armas e prepararam o contra-ataque.
No ano 147 a.C. dez mil lusitanos em fúria avançaram para sul e dirigiram-se a uma zona dominada pelos Romanos.
Queriam saquear as povoações e vingar a morte dos companheiros, mas quando menos esperavam perceberam que estavam cercados à distância por um anel de soldados inimigos. Que fazer?
Os chefes, para evitarem nova carnificina, propuseram-se ir negociar a rendição. Viriato opôs-se com veemência. Erguendo a voz, lembrou:
- Os Romanos não respeitam promessas. Enganaram-me uma vez, não me tornam a enganar. Comigo não contem para negociações. Prefiro lutar ou morrer.
O discurso e a firmeza impressionaram toda a gente, sobretudo os outros chefes. E Viriato continuou:
- Se não podemos vencê-los pela força, vencê-los-emos pela astúcia. Ora oiçam o meu plano.
Propôs-lhes então o seguinte: os homens que combatiam a pé deviam formar grupos e a um sinal combinado disparar em todas as direcções e romper a barreira que os cercava sem dar tempo aos inimigos de se organizarem.
- Enquanto vocês fogem, eu e os outros cavaleiros caímos sobre eles ora de um lado ora de outro, de forma a derrotá-los e a proteger a vossa fuga.
O plano foi aceite; faltava combinar o sinal.
- Fiquem atentos. Quando eu montar a cavalo, já sabem... é ordem para arrancar.
Pouco depois ecoavam gritos de guerra pelos campos, zuniam setas e lanças, por toda a parte se ouvia o tinir das espadas. Os romanos não estavam à espera daquela táctica-relâmpago e, tal como Viriato previra, desnortearam-se. Muitos grupos de peões romperam o cerco e desapareceram, enquanto os bravos cavaleiros lusitanos, apesar de estarem em minoria e de possuírem armas mais fracas, lutavam sem cessar.
O campo de batalha ficou juncado de mortos, o próprio general romano perdeu a vida, mas não se pode falar de vitória ou derrota. Neste confronto, Viriato, mais do que vencer os Romanos, salvou os Lusitanos. A partir de então foi reconhecido e amado como chefe máximo por todas as tribos.
As mulheres sonhavam com ele, os homens admiravam-no, acatavam as suas ordens e seguiam-no com tanto entusiasmo e convicção que durante anos lançaram o terror entre as hostes inimigas. Viriato parecia invencível. E, de facto, em guerra aberta ninguém o derrubou.
No ano de 139 a.C. Viriato foi assassinado à traição, quando dormia na tenda, por três homens da sua tribo que os Romanos tinham aliciado e subornado. Os Lusitanos choraram longamente a perda daquele chefe querido e ficaram muito enfraquecidos. Quanto aos assassinos, parece que não chegaram a obter nenhuma recompensa pelo crime. Segundo consta, foram recebidos com desprezo pelo chefe romano, que lhes terá dito «Roma não paga a traidores».
É engraçado que tudo o que sabemos a respeito deste homem que os Portugueses consideram como o primeiro dos seus heróis foi escrito por autores romanos. Impressionados pela personalidade forte, austera e recta do chefe lusitano, impressionados também pelo imenso valor que demonstrava na guerra, escreveram vários textos elogiosos sobre ele. Apesar de serem adversários, foram os Romanos que deram a conhecer ao mundo a figura de Viriato.(1) Os historiadores actuais consideram que a ideia de Viriato ter sido pastor nos Montes Hermínios é lendária.
in Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Portugal - História e Lendas, ed. Caminho

Os Romanos assim disseram...

Citações de alguns dos maiores antigos historiadores romanos:
-"... Viriato, um Lusitano de nascimento, sendo pastor desde criança nas altas montanhas da Lusitânia, foi para todos os romanos motivo do maior terror. A príncipio armando emboscadas, depois devastando províncias, por último vencendo, pondo em fuga, subjugando exércitos de Pretores e Cônsules romanos. ..." Orósio (5.4.1)
-"... Viriato, nascido e criado nas mais altas montanhas da Lusitânia, onde foi pastor desde criança, conseguiu reunir o apoio de todo o seu povo para sacudir o jugo romano, e fundar uma grande nação livre na Hispânia (Península Ibérica). ..." Floro (1.33)
-"... Este Viriato era originário dos Lusitanos... Sendo pastor desde criança, estava habituado a uma vida dura nas altas montanhas... Famoso entre as populações, foi por eles escolhido como chefe..." Diodoro Sículo (33.1.1-4)

06/08/2009

Viriato em video

Uma história do tempo dos Romanos

Depois de muitas lutas, os chefes lusitanos decidiram propor a paz. Se os Romanos lhes dessem boas terras férteis na planície, não lutariam mais.
Um chefe romano chamado Galba fingiu aceitar a proposta e ofereceu-lhes um local esplêndido na condição de entregarem as armas. Mas quando os viu espalhados por uma zona sem esconderijos e já sem hipóteses de se defenderem, esqueceu a palavra dada, cercou-os, matou nove mil homens e, não contente com isso, aprisionou mais de vinte mil e enviou-os como escravos para a Gália (actual França).
Galba pensava que a notícia desta vitória seria muito bem recebida em Roma e talvez até estivesse à espera de alguma recompensa. Também pensava que a violência do seu ataque tinha destruído para sempre a resistência dos Lusitanos. Afinal enganou-se redondamente.
As autoridades romanas davam muito valor às vitórias militares mas exigiam lealdade na guerra e respeito pelos inimigos. Quando souberam que Galba mentira aos Lusitanos para os vencer à traição e que atacara homens desarmados, homens que tinham confiado na palavra de um chefe romano, ficaram indignados. Em vez de recompensas, Galba foi chamado a Roma e julgado em tribunal. Nunca mais voltou à Península Ibérica.
Quanto ao efeito da violência bruta sobre os Lusitanos, foi exactamente o contrário do que Galba esperava. Em vez de ganharem medo, ganharam raiva contra o inimigo. Um dos homens que conseguiram escapar à carnificina tomou a seu cargo a vingança e a revolta. Chamava-se Viriato. Dois anos mais tarde já tinha consigo um exército de milhares de homens vindos de vários castros; desencadeou ataques sucessivos contra os Romanos, alcançando tantas vitórias que passou à história como um grande herói, um chefe invencível.
in Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Portugal - História e Lendas, ed. Caminho

03/08/2009

29/07/2009

Viriato fazendeiro

in Revista Universal - Número Especial dedicado à Cidade de Carmona (Uige). Agosto - Setembro de 1958. Ano VII (2ª Série); nºs 16 e 17. Pag. 36.
Post possível graças à (gentileza do Rui) EMPÓRIO.

27/07/2009

Às Deusas e Deuses Vissaieigenses

Ara do tempo dos Romanos (e de Viriato) encontrada em Viseu: ÀS DEUSAS E DEUSES VISSAIEIGENSES. ALBINO, FILHO DE QUÉREAS, CUMPRIU O VOTO DE BOM GRADO E MERECIDAMENTE.
(foto cedida por um atento leitor)

22/07/2009

À boleia dos ventos

Se viajar nesta nave lusitânia vai ficar a conhecer melhor a história do tempo de Viriato!

20/07/2009

Lusitania

Livro quasi completo aqui e conheça melhor a personagem de Viriato!

19/07/2009

Viriato na tapeçaria

Cartão de tapeçaria para o Palácio de Justiça de Oliveira do Hospital (1966)

18/07/2009

Teorias sobre Viriato

Várias teorias são consideradas quando se refere à etimologia do nome de Viriato. O nome pode ser composto de dois elementos: Viri e Athus. Saiba mais aqui!

28/06/2009

Na FNAC a 7 euros

Viseu como cidade pré-romana era um espaço onde circulavam produtos, gentes, pessoas, ideias e credos. A obra "Vissaium, o espírito do lugar" de Pedro Sobral e Luis Fernandes foi apresentada na FNAC Viseu.

24/06/2009

Os Vissaieci moravam em Vissaium?

Será que na colina da Sé existiu um castro pré-romano? Que nome teria esse castro e qual seria o seu nome no período pré-romano e durante o domínio romano ?
(...) Durante as escavações obrigatórias nas zonas históricas foi encontrada uma ara de granito (altar onde ardia o fogo sagrado e se faziam orações), mandada fazer por homem de nome Albinus, com cerca de 1,40 m e datada do século I d.C, com uma inscrição em latim influenciado pelas línguas locais, onde se invocam "as deusas e deuses dos vissaieici", segundo o arqueólogo Pedro Sobral seria este o nome do povo que habitaria o morro e portanto o nome da localidade seria "Vissaium" segundo o epigrafista Luís Fernandes.

ET: AJ, o arqueólogo chama-se Pedro Sobral, isso tenho eu a certeza! Já se Viseu seria Vissaium não te sei dizer!

21/06/2009

Quem torto nasce...

E remendo atrás de remendo lá vão seguindo as obras da Cava de Viriato!

17/06/2009

Com a ajuda do vizinho

Pode conhecer a muralha romana de Viseu antigo clicando aqui!

16/06/2009

O Hermano é que sabe

O Prof Hermano explica tudo certinho! O pormenor das bolas do punhal é fantástico... passava-me lá tal cousa pela cabeça!

15/06/2009

Ajudinha aos alunos

Através deste motor de pesquisa ou deste outro consegue-se obter uma série de e-books sobre o nosso herói como este, ou este ou até mesmo o livro do Munõz!

14/06/2009

Romanos e Lusitanos


Infogravura de Sergio Veludo Coelho